janeiro 2008
Monthly Archive
qui 31 jan 2008
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) classificou a decisão da União Européia (CE) de barrar as importações de carne bovina do Brasil de protecionista. A entidade argumenta que as novas regras impostas pelo bloco europeu inviabilizam a definição das propriedades nacionais aptas a exportar, na medida em que reduzem muito o número de fazendas habilitadas.
“Paciência, o que nós vamos fazer? Não quer comprar, não compra… Eles (os europeus) fizeram essa proposta como quem diz assim: “vamos fazer uma proposta inviável e aí bloqueamos”, afirmou o presidente da Abiec, Marcus Vinícius Pratini de Moraes. “É uma medida puramente protecionista, não tem nada a ver com sanidade, nem com coisa nenhuma”.
O comissário de Saúde da União Européia, Markos Kyprianou, afirmou que o governo do Brasil enviou uma lista com um número maior do que o esperado de propriedades para serem autorizadas a exportar à UE e, por isso, os técnicos da CE levarão mais tempo para habilitar todas elas. Segundo Kyprianou, nenhuma propriedade está autorizada, o que vai impedir as exportações a partir da quinta-feira, quando entram em vigor as novas regras.
O Ministério da Agricultura repassou terça-feira à UE uma lista com cerca de 2.600 propriedades que estariam aptas a fornecer gado para a produção de carne a ser destinada aos europeus. Mas a UE esperava receber uma lista com apenas 300 propriedades aprovadas previamente.
A UE importou no ano passado 543,5 mil toneladas de carne do Brasil, ou 21% do total exportado pelo país. Além disso, os europeus, por pagarem mais pelo produto nacional, responderam pela maior parcela de divisas obtidas pelo setor no ano passado, 1,4 bilhão de dólares, contra exportações totais de 4,42 bilhões de dólares.
Segundo Pratini, os europeus “não podem impor regras a um país que tem 5 milhões de propriedades agrícolas, das quais pelo menos 3 milhões com pelo menos uma vaca para fornecer leite, e mais de 100 mil propriedades com grandes produtores de gado”.
qui 31 jan 2008
Notas tranqüilizadoras enviadas nessa quarta-feira (30-01) aos investidores não foram suficientes para evitar a desvalorização das ações dos frigoríficos exportadores brasileiros que estão na Bovespa. As restrições impostas pela União Européia à carne bovina do país falaram mais alto.
A maior queda foi a dos papéis ON da JBS-Friboi, que atingiu 0,84% no dia. A empresa, a maior do mundo em seu segmento, bem que tentou sair na frente da crise com a UE. No domingo, enviou comunicado “otimista” à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), no qual sinalizou altas de Ebitda e faturamento líquido em 2008.
Para o Ebitda, o aumento previsto para este ano é de R$ 177 milhões. Já a receita deverá alcançar R$ 25,5 bilhões, considerando-se todas as frentes de atuação do grupo: Brasil, Argentina, Austrália e Estados Unidos.
Ainda assim, Sergio Longo, diretor de finanças e de relações com os investidores da JBS, admitiu, no comunicado, que as as exportações de carne bovina in natura para a União Européia vão cair. Lembrou que em janeiro os embarques permaneceram aquecidos e disse que já são perceptíveis, por causa das restrições, aumentos no preços da carne bovina in natura, elevação de demanda e preço de produtos industrializados do Mercosul.
O grupo Marfrig, outro grande exportador de carne bovina, avisou ontem que as suas unidades de abate de animais terão a produção de carne in natura direcionada a outros destinos. A empresa informou que aproveitará o problema para fortalecer sua posição no mercado doméstico e, com isso, descarta uma queda da produção.
O Marfrig, que conta com nove unidades de bovinos na Argentina (5) e no Uruguai (4), esclareceu que estes trabalharão a plena capacidade. O grupo prevê que, com as travas européias ao Brasil, crescerá a demanda do bloco pelas carnes argentina e uruguaia. Mas as ações ON recuaram 0,83%.
Já o Minerva, terceiro e último frigorífico de carne bovina listado em bolsa, enfrentou ontem, além das más notícias da Europa, a decisão do Cade de manter, ainda que retificadas, as multas do processo que condenou frigoríficos brasileiros por formação de cartel. Seus papéis ON recuaram 0,12%.
Outro exportador que já encara os problemas derivados da postura da UE é o Independência. A empresa não tem ações negociadas em bolsa, mas tem essa ambição e preferiu comunicar que duas de suas oito plantas de abate serão impactadas – Janaúba (MG) e Senador Canedo (GO).
Como no caso do Marfrig, o Independência informou que, no front externo – os embarques representam cerca de 15% de seu faturamento – tentará destinar volumes maiores para Rússia, Egito e Oriente Médio. A companhia também vê no mercado doméstico uma importante saída para evitar problemas mais graves.
Em comunicado, o Independência disse que seus planos de expansão no segmento de couro não serão afetados. E informou que, na eclosão dos focos de febre aftosa no Mato Grosso do Sul e no Paraná, em 2005, as exportações a partir desses Estados (além de São Paulo) foram bloqueadas pela UE, mas não foi afetado o crescimento da receita e das margens da empresa.
Apesar desses posicionamentos, Leonardo Alencar, analista da Scot Consultoria, avalia que as margens das exportadoras deverá, sim, ser afetada, mesmo que elas consigam vender mais carne bovina in natura no mercado interno e exportar mais carne industrializada. A razão é que os preços desses produtos são mais baixos que os dos cortes vendidos na Europa.
qui 31 jan 2008
Os exportadores de carne bovina prevêem um “período difícil de 60 dias” devido ao embargo da UE (União Européia) contra o produto brasileiro. Essa é a avaliação do ex-ministro Marcus Vinícius Pratini de Moraes, presidente da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne). Pratini vincula a normalização do mercado à missão da UE que chega ao Brasil em 25 de fevereiro.
Durante 15 dias, os técnicos devem verificar a auditoria coordenada pelo governo brasileiro para indicar as fazendas habilitadas para o fornecimento de carne para o bloco econômico. A visita estava programada inicialmente para março. O anúncio da decisão européia deixou os negócios em ritmo lento. Os frigoríficos exportadores limitaram as compras.
No início da semana, no Triângulo Mineiro, o preço da arroba estava em R$ 73 para o boi rastreado. Para o gado comum, “sem brinco”, em R$ 66. “Em Goiás, o deságio chegou a R$ 10″, diz Leonardo Alencar, analista da Scot Consultoria.
Mesmo com esse impacto, Alencar diz que o mercado tende a trabalhar acima do patamar do começo do ano passado. Em fevereiro de 2007, a praça de Barretos (SP) registrou média de R$ 55. “A oferta está muito mais curta neste ano”, afirma Cesar de Castro Alves, da MB Agro Consultoria. O presidente da Sociedade Rural Brasileira, Cesário Ramalho, diz que o pecuarista deve manter a calma. Para ele, é essencial evitar um “efeito manada”, que aumente as vendas de forma desproporcional.
Como bloco econômico, a União Européia é o principal mercado em receita para a carne bovina brasileira. No ano passado, comprou 543,5 mil toneladas do país, 21% do volume embarcado. Os europeus desembolsaram US$ 1,4 bilhão, 31,7% da receita total dos embarques, de US$ 4,420 bilhões.
Frigoríficos com ações negociadas em Bolsa divulgaram comunicados tentando acalmar o mercado. Segundo as empresas, é possível redirecionar as vendas para outras regiões, como o Oriente Médio. As unidades dessas indústrias em outros países priorizarão os embarques para a Europa. Ontem, quando a Bovespa subiu 1,28%, as ações do JBS-Friboi caíram 0,84%, as do Marfrig, 0,83%, e as do Minerva, 0,12%.
Competitividade:
Antenor Nogueira, presidente do Fórum da Pecuária de Corte da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), reduz o embargo europeu a “questão comercial”. Segundo ele, a decisão visa proteger a produção local. “O Brasil é muito mais competitivo.” Enquanto o boi brasileiro é negociado a R$ 1.200, o europeu é vendido por 1.352, o equivalente a R$ 3.556.
“Isso é desculpa para subir o preço da carne na Europa e não haver a necessidade de liberar subsídios”, diz Sebastião Guedes, presidente do CNPC (Conselho Nacional da Pecuária de Corte). José Vicente Ferraz, diretor técnico da consultoria AgraFNP, espera reações dos próprios europeus. “O consumidor vai sentir no bolso e vai haver muitos distribuidores de carne em dificuldades”, diz.
Início:
Para Pedro de Camargo Neto, presidente da Abipecs (Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína), o Sisbov (Serviço Brasileiro de Rastreabilidade da Cadeia Produtiva de Bovinos e Bubalinos) pecou desde a origem, no começo da década.
“Era necessário segmentar o mercado, com pagamento maior para o boi rastreado”, diz. Para Camargo Neto, que também é pecuarista, a indústria resistiu em trabalhar dessa forma, pelo receio de valorização dos rebanhos rastreados. “Não houve fiscalização, e o sistema ficou desmoralizado”, diz.
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