Resultados referem-se à campanha na região da fronteira e no Pantanal.
A Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro) superou as expectativas e metas para a campanha de vacinação contra a febre aftosa de todo o rebanho na região de fronteira com o Paraguai e da região do Pantanal.
Segundo o diretor-presidente do órgão, Roberto Bacha., graças ao sistema “GTA Fácil”, a campanha na fronteira, que começou no dia 20 do mês passado e encerrou nesta quinta (20), foi monitorada quase que instantaneamente pelo sistema implementado pelo governo do estado no início deste ano. “Os dados foram transmitidos imediatamente e adiantou nossos trabalhos”, explicou.
A campanha de fronteira, que foi realizada na faixa de 15 km de fronteira com o Paraguai, e realizada simultaneamente pelo país vizinho, englobando os municípios de Aral Moreira, Antonio João, Bela Vista, Caracol, Coronel Sapucaia, Eldorado, Itaquiraí, Iguatemi, Japorã, Mundo Novo, Paranhos, Ponta Porã, Porto Murtinho, Sete Quedas e Tacuru, imunizou, somando também a região pantaneira, 12,3 milhões de animais, quando a previsão inicial era de 12 milhões.
O volume é pequeno, se comparado com o que o Brasil abate por ano.
As cerca de 350 mil cabeças enviadas, em pé, para fora do País em 2007 representam menos de 1% das 42 milhões de cabeças que deverão ser abatidas até o final de dezembro. Mas em termos de crescimento dos embarques, os números são interessantes: 45% maior do que em 2006 e duas vezes e meia maior do que em 2005.
Esse novo filão, que para alguns é volátil – ou seja, oscila muito de acordo com as circunstâncias, principalmente o câmbio –, mas para outros é promissor, se originou por uma demanda ditada pelo hábito alimentar do Líbano, país árabe onde a população gosta de comer “carne quente”, ou seja, que não é resfriada no frigorífico e sim enviada imediatamente ao varejo. A empresa Caiapós Fabril, por exemplo, chegou a embarcar 15.000 bovinos num único mês para o país árabe.
Depois vieram outros clientes, o mais recente a vizinha Venezuela, às voltas com diminuição de seu rebanho. E o gado não é só para abate. A empresa Muguidjana Agropecuária, de capital português, embarcou para Angola este ano 3.200 bovinos das raças Nelore, Guzerá, Brahman, Tabapuã, Gir, Sindi e Canchim, todos para reprodução, sendo 25% deles considerados de elite, por serem puros de origem.
A atratividade do negócio se revela nos valores pagos. O preço médio de um bovino exportado pelo Brasil saltou de US$ 300 em 2006 para US$ 550 este ano. Os importadores venezuelanos chegam a pagar US$ 730 pelo exemplar. E quem vem desfrutando mais desse movimento é o Estado do Pará, escoadouro de 96% do gado em pé mandado para fora em 2007. O bezerro anelorado, que custava R$ 300 no final de 2006, custa hoje mais de R$ 420. Mais: a arroba do boi paraense era uma das mais baixas do País, com uma diferença de 30% em relação a São Paulo, a praça-referência de preços; distância que foi reduzida a menos de 10% em outubro de 2007.
O Pará entrou definitivamente na rota dos navios e a Federação de Agricultura local já pensa em construir um “porto do boi”. Nem tudo são flores, porém, O crescimento abrupto já causa alguns problemas, como congestionamento de carretas próximas ao porto de Belém e a suspensão de embarques determinadas pela Justiça por causa de reclamações da população por causa do mau cheiro ocasionado pelos dejetos dos animais.
Outro problema decorrente desse movimento é a falta de estrutura do porto nortista, que às vezes ocasiona atraso na atracação dos navios e conseqüente pagamento de multas altíssimas aos importadores. Segundo Daniel Freire, da Caiapós, elas variam de US$ 7.000 a US$ 50.000 por dia.
“É necessário deixar absolutamente claro que a carne brasileira não apresenta qualquer tipo de risco à saúde humana ou animal”, reafirma o Mapa.
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) classificou nesta quarta-feira, 19, de “arbitrária, desnecessária, desproporcional e injustificada” a decisão da União Européia de restringir a exportação de carne brasileira para o bloco.
A decisão estabelece que o Mapa deve apresentar, até o dia 31 de janeiro de 2008, em caráter provisório, uma lista limitada de fazendas cujo rebanho pode ser encaminhado aos frigoríficos brasileiros habilitados para a exportação. O Ministério diz que a medida “poderá criar discriminação arbitrária entre fazendas em que se verificam as mesmas condições no que se refere às próprias exigências européias”.
Exportadores – Já a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) diz que a decisão “não altera substancialmente as normas vigentes atualmente”. A entidade diz que as novas normas inclusive já foram reguladas pelo governo brasileiro por meio de uma instrução normativa. A Abiec diz que o aumento das exigências é uma evolução já prevista e que gradualmente se aplicará a toda a pecuária brasileira.
“A decisão da União Européia confirma a sanidade e a qualidade da carne brasileira e está muito longe de atender as pressões restritivas patrocinadas pelos interesses comerciais de alguns produtores da Irlanda e de regiões da Grã Bretanha”, diz um comunicado da entidade.