junho 2007


A proposta do Ministério do Desenvolvimento Agrário e do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) de atualizar os índices de produtividade utilizados como critério de desapropriação de áreas agrícolas destinadas à reforma agrária torna improdutivas 60% das propriedades rurais produtivas de Mato Grosso do Sul.

A informação é do advogado Gervásio Alves de Oliveira Júnior, responsável pelo setor jurídico da Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul), explicando que o setor rural já está se organizando juridicamente para tentar barrar na Justiça caso o governo federal ratifique esses novos índices pleiteados pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Incra.

Segundo Gervásio, a tabela atual determina que o índice de produtividade de soja deva ser de 1,2 tonelada por hectare e pelos novos índices passaria a ser de duas toneladas por hectare, o que representaria 37 sacas de soja por hectare. Na pecuária, o produtor seria obrigado a saltar de 0,3 unidade animal por hectare para 1,5 unidade por hectare de terra.

Tomando por base a produção média dos últimos anos, Gervásio Alves de Oliveira Júnior considera que em alguns casos as propriedades rurais de Mato Grosso do Sul precisarão aumentar duas vezes ou mais a produção para que não sejam consideradas improdutivas e sujeitas à desapropriação para a reforma agrária.

“São índices inatingíveis. Isso sem falar nas dificuldades enfrentadas pelo produtor em relação a fatores climáticos e endividamento que sempre geram problemas de produtividade”, avaliou o advogado da Famasul, afirmando que o setor rural não aceita os critérios técnicos de aferição utilizados pelo Ministério e Incra.

“A base de cálculo é a quantidade, quando deveria ser a eficiência. O produtor pode ser punido por produzir mais em menor espaço de terra”, ressaltou, completando que na aferição da produtividade das propriedades rurais o governo federal deveria considerar a evolução técnica na produção agropecuária, com o uso de novas tecnologias, computador e Internet, tratores com GPS, pesquisas genéticas, a introdução de manejos mais adequados e melhoria de qualidade das pastagens, o desenvolvimento e a geração de emprego.

A informação é do gerente-geral da área na empresa, Alexandre Alves Salas, após visita de uma delegação com seis importadores árabes ao escritório da empresa, em São Paulo.

De acordo com Sala, as exportações de carne bovina para a região devem ser ampliadas para outros países assim que for concluída a expansão de um frigorífico no Mato Grosso que a empresa adquiriu este ano. Por enquanto, a unidade abate 500 animais por dia, número que deve passar para dois mil entre o final deste ano e o início do próximo, segundo o gerente-geral da divisão na Perdigão.

A empresa quer tornar a sua carne bovina tão conhecida no mundo árabe quanto o frango. Ela entrou no segmento de bovinos há cerca de dois anos e já vende, no mundo árabe, para Argélia, Emirados Árabes Unidos, Líbano e Líbia. Tanto os produtos de bovinos como os de frango são vendidos no mercado internacional sob a marca Perdix.

Atualmente, a Perdigão abate 600 bovinos/dia, mas deverá passar a seis mil animais até 2011. A exportação, segundo Salas, responde por 70% da produção. E os árabes compram entre 40% e 50% deste total. Os importadores árabes, que estiveram no Brasil em uma missão organizada pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira nesta semana, viram um filme sobre o abate halal feito na empresa e visitaram a loja da Perdigão, que traz os produtos fabricados pela companhia.

Mais negócios – O gerente geral da Ibrahim Odeh & Partners e Odeh International Est., Ibrahim Mousa Odeh, que já trabalha com importação de carne brasileira de grandes companhias, mas por meio de terceiros, quer passar a fazer compras diretas da companhia. Os executivos ficaram de colocá-lo em contato com o escritório da empresa nos Emirados, que responde pelas vendas para o Oriente Médio e Norte da África. Odeh afirmou que este foi o contato mais promissor da missão até agora.

O importador Isa Al-Daaysi, do Bahrein, que também integrou a delegação, já chegou a comprar da Perdigão há cerca de 22 anos e tem vontade de retomar as importações. A empresa do importador, a Al-Daaysi, porém, só compra de frigoríficos nos quais possa supervisionar o abate e a produção e quer negociar isso com a companhia.

Al-Daaysi já importa de outras indústrias brasileiras de carne. O empresário adquire ao redor de US$ 5 milhões em mercadorias brasileiras ao ano e acredita que deve elevar este número para US$ 10 milhões após esta visita ao Brasil.

A arroba do boi gordo rastreado para 30 dias em Mato Grosso do Sul está cotada a R$ 57,00, enquanto a da vaca gorda rastreada para 30 dias custa R$ 52,00 nesta sexta-feira, conforme o Sima/MS (Sistema Nacional de Informação de Mercado Agrícola de Mato Grosso do Sul). A arroba do boi gordo é R$ 53,00 e da vaca é R$ 50,00.

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