novembro 2006


Até o final do próximo ano Mato Grosso estará contabilizando investimentos de R$ 110 milhões no segmento de produção de biodiesel. A oferta do biocombustível ao mercado chegará a 288 milhões de litros por ano. Estes números garantem ao Estado mais um título: a primeira colocação no ranking dos maiores produtores do país.

Líder na produção de biodiesel no Brasil, com 88,6 milhões de litros/ano, Mato Grosso se prepara agora para ganhar a maior usina de biodiesel do mundo, que está sendo construída em Rondonópolis. Na semana passada, o presidente Lula inaugurou a usina “trifásica” da Barrálcool, em Barra do Bugres, que também nasceu com título mundial: é a produzir biodiesel, açúcar e álcool de forma integrada.

As obras da maior planta do mundo estão em andamento e a perspectiva da Archer Daniel Midland (ADM) do Brasil – dona do empreendimento – é de que dentro de um ano, em novembro de 2007, a usina esteja em pleno funcionamento. A construção movimenta atualmente mais de 200 operários e a previsão é de que, na fase de operação, o empreendimento gere 90 empregos diretos permanentes.

Com investimentos de R$ 70 milhões, a usina terá capacidade para produzir 500 toneladas de biodiesel por dia, ou 201,25 milhões de litros/ano, quase duas vezes e meia mais do que o produzido pelas quatro plantas em funcionamento atualmente no Estado.

“Será a maior [usina de biodiesel] do mundo. Não há outro projeto semelhante em nenhum país”, diz o secretário adjunto de Desenvolvimento da Secretaria de Indústria, Comércio, Minas e Energia (Sicme), José Epaminondas Mattos Conceição, que vem acompanhando e articulando a instalação de projetos nesta área há vários anos.

Segundo ele, a multinacional norte-americana, que é uma das grandes esmagadoras de soja do Brasil, se desponta como a maior produtora de biodiesel do mundo, com investimentos em países como a Holanda, França, Alemanha e Itália. No Brasil, este é o primeiro empreendimento da trading no setor de biodiesel.

Epaminondas informou que a produção da ADM será vendida nos leilões de biodiesel para o suprimento do mercado doméstico, com possibilidade de exportar o excedente para outros países.

INVESTIMENTOS
Somado-se os R$ 40 milhões já aplicados na construção das quatro usinas de biodiesel em operação no Mato Grosso, aos R$ 70 milhões da ADM, os investimentos chegam a R$ 110 milhões, totalizando uma oferta de 288 milhões de litros por ano. Estes números garantem a Mato Grosso a primeira colocação no ranking dos maiores produtores do país.

“A nossa projeção é de que a partir de 2008 estaremos atingindo a marca de 1 bilhão de litros/ano”, diz Epaminondas.

Ele informou que na semana passada mais dois projetos deram entrada no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), pleiteando financiamentos para a construção de plantas industriais de biodiesel no interior mato-grossense, Colíder e Novo Mundo, localizados ao Norte da Capital, 648 e 785 quilômetros, respectivamente.

São dois projetos idênticos, com capacidade de produção [individual] de 48 milhões de litros/ano, utilizando como matérias-prima a soja, o girassol e o pinhão manso.

O primeiro projeto, situado em Colíder, é de propriedade do Grupo Fischer – que possui uma rede de empresas no ramo de auto-pecas e diversas agropecuárias – enquanto o outro, em Novo Mundo, pertence ao prefeito da cidade, Nelson Baumgratz.

“Os investimentos estão acontecendo e podemos afirmar que o biodiesel é a bola da vez em Mato Grosso pelas oportunidades de investimentos que o Estado oferece nesta área, com retorno certo e garantido”, afirma o secretário adjunto da Sicme.

Ele revelou que atualmente são mais de 20 projetos em andamento no Estado, sem contar os projetos individuais dos produtores. “Temos grande potencial de produção e as nossas condições climáticas favorecem. Mato Grosso poderá ser o novo eldorado para investimentos em projetos de biodiesel”, frisa.

Produtores vão substituir o diesel
Por enquanto ainda é apenas um sonho. Mas, num futuro bem próximo, os produtores mato-grossenses almejam substituir o óleo diesel – produto caro e com alta carga de impostos – pelo biodiesel que será produzido por eles mesmos.

O objetivo é reduzir os custos de produção a partir da utilização do biodiesel nas máquinas, tratores e colheitadeiras nas lavouras de soja e algodão do Estado, aproveitando-se as matérias-primas disponíveis, como o caroço do algodão, a soja e até mesmo milho.

De acordo com informações da Secretaria de Indústria, Comércio, Minas e Energia (Sicme), a Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso (Aprosoja/MT) – uma das entidades parceiras no projeto – deverá entrar com o projeto econômico-financeiro em janeiro de 2007. “Eles [os investidores] estão realizando um levantamento topográfico no Distrito Industrial de Cuiabá para escolher a área onde será montada a planta”, conta o secretário adjunto de Desenvolvimento da Sicme, José Epaminondas Mattos Conceição.

A fábrica que será construída pelos produtores será a segunda maior do Estado na área de bioenergia, com previsão de produzir 100 milhões de litros de biodiesel por ano. Os investimentos previstos, da ordem de R$ 30 milhões, serão realizados pelos produtores por meio de suas associações: Ampa (algodão), Aprosoja (soja) e Coabra (Cooperativa Agroindustrial do Centro-Oeste).

A indústria utilizaria a matéria-prima produzida pelos próprios produtores. “Seria uma forma de nós estarmos fornecendo matéria-prima para nós mesmos produzirmos o combustível que hoje é um dos principais fatores de custo de nossa produção”, disse uma fonte da Associação Mato-grossense de Produtores de Algodão (Ampa).

O projeto prevê que a produção da fábrica atenderá 5% da demanda dos produtores, que reduziriam de 8% para 4% o custo total de combustível em uma lavoura. Estudos apontam que com a utilização do biodiesel, os agricultores poderiam economizar até dois sacos de soja de 60 quilos em cada hectare cultivado.

Mato Grosso consome cerca de dois bilhões de litros de óleo diesel por ano. Deste total, cerca de 800 milhões de litros são utilizados no processo produtivo apenas nas lavouras de soja (720 milhões de litros) e algodão (80 milhões de litros), totalizando uma área plantada de aproximadamente 6 milhões de hectares.

Quatro usinas já estão em operação no Estado
Com a inauguração da usina de biodiesel da Barrálcool na última terça-feira, em Barra do Bugres (169 quilômetros ao Norte de Cuiabá) já são quatro plantas em operação no Estado, somando investimentos de R$ 40 milhões e capacidade de produção de 88,96 milhões de litros/ano.

No total, os investimentos das oito usinas em Mato Grosso – quatro instaladas, duas em fase de implantação e dois projetos em andamento – totalizam investimentos de R$ 150,2 milhões. O número de empregos gerados por essas indústrias totaliza 6,1 mil, sendo 300 diretos e 5,8 mil indiretos.

As quatro usinas em funcionamento em Mato Grosso estão nos municípios de Barra do Bugres, Dom Aquino, Porto Alegre do Norte e Rondonópolis. A primeira, de propriedade da Barrálcool, com investimentos de R$ 27 milhões tem capacidade para produzir 57 milhões de litros de biodiesel por ano. É a maior do Estado em operação na atualidade e a primeira do mundo a produzir biodiesel, açúcar e álcool de forma integrada.

A segunda usina, com sede em Dom Aquino (172 quilômetros ao Sul de Cuiabá), com investimentos de R$ 3 milhões, possui capacidade para produzir 15 milhões de litros de biodiesel/ano.

A usina de Porto Alegre do Norte (1,14 mil quilômetros ao Norte de Cuiabá), da Araguaçu Óleos Vegetais (investimentos de R$ 8 milhões), também pode produzir 15 milhões de litros por ano. A empresa, entretanto, está aguardando autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para produzir o biodiesel. A produção atual está restrita a óleos vegetais.

Em Rondonópolis (210 quilômetros ao Sul de Cuiabá), a Sociedade Salles Indústria está implantando uma usina com capacidade para produzir cerca de 1 milhão de litros de biodiesel por ano. Os investimentos chegam a R$ 1,5 milhão.

Além dessas plantas, outro projeto está em fase de implantação, em Sorriso (460 quilômetros ao Médio Norte de Cuiabá), da Agrosoja. Estão orçados R$ 10 milhões e a previsão é de entrar em operação no próximo mês. A capacidade instalada é de 20 milhões de litros de biodiesel/ano.

Outros dois projetos estão em fase de aprovação em Mato Grosso. O maior deles é o do consórcio Aprosoja/Ampa/Coabra. O outro projeto em fase de andamento é o da Biobrasil, que deverá ser instalada no Distrito Industrial de Cuiabá e produzir 9 milhões de litros em 2007.

De acordo com o secretário adjunto de Desenvolvimento da Secretaria de Indústria, Comércio, Minas e Energia, José Epaminondas Conceição, a Biobrasil está agilizando a documentação para a licença de produção, na ANP e registro na Receita Federal.

Diferenças entre o Biodiesel e HBio
A grosso modo, o biodiesel é óleo vegetal sem glicerina, enquanto o HBio é diesel de petróleo com 10% de óleo vegetal. Isto não quer dizer, entretanto, que se alguém adicionar 10% de óleo vegetal no diesel terá HBio, pois o óleo vegetal adicionado ao diesel recebe hidrogênio em sua composição. O HBio é, portanto, o refino de petróleo que utiliza óleo vegetal como matéria-prima para obtenção de óleo diesel, a partir do processo de hidrogenação. O único motivo de comparar o HBio com o biodiesel é a relação dos dois combustíveis com o óleo vegetal. Com a chegada do HBio, nada muda para o biodiesel, que continua sendo um combustível melhor que o HBio.

Está mantida a obrigatoriedade prevista em lei de adição de 2% e posteriormente 5% de biodiesel. A meta é gradualmente aumentar a porcentagem de biodiesel ao diesel até o país não precisar do HBio.

Duas refinarias iniciarão os trabalhos com o H-Bio a partir de 2007. Porém, apenas entre 2009 e 2011 é que haverá ampla distribuição deste combustível.

BIOMASSA
A biomassa é um tipo de matéria utilizada na produção de energia a partir de processos como a combustão de material orgânico produzido e acumulado em um ecossistema, porém nem toda a produção primária passa a incrementar a biomassa vegetal do ecossistema. Parte dessa energia acumulada é empregada pelo ecossistema para sua própria manutenção. Suas vantagens são: baixo custo, é renovável, permite o reaproveitamento de resíduos e é menos poluente que outras formas de energias como aquela obtida a partir da utilização de combustíveis fósseis como petróleo e carvão mineral.

A queima de biomassa provoca a liberação de dióxido de carbono na atmosfera, mas como este composto havia sido previamente absorvido pelas plantas que deram origem ao combustível, o balanço de emissões de CO2 é nulo.

Os materiais mais utilizados para a geração de energia a partir da biomassa são: lenha, bagaço de cana, pó de serra, papéis já utilizados, galhos e folhas, embalagens de papelão descartadas. Há ainda outras fontes de geração de energia, como a proveniente do Biogás, metano obtido juntamente com o dióxido de carbono por meio da decomposição de materiais como lixo, alimentos, esgoto e esterco em digestores de biomassa.

Combustível vem de diferentes processos
O biodiesel é um combustível biodegradável derivado de fontes renováveis, que pode ser obtido por diferentes processos, tais como o craqueamento, a esterificação ou a transesterificação. Pode ser produzido a partir de gorduras animais ou de óleos vegetais, existindo dezenas de espécies vegetais no Brasil que podem ser utilizadas, como mamona, dendê, girassol, babaçu, amendoim, pinhão manso e a soja.

O biodiesel substitui total ou parcialmente o óleo diesel de petróleo em motores ciclodiesel automotivos (de caminhões, tratores, camionetas, automóveis), ou estacionários (geradores de eletricidade, calor, etc). Pode ser usado puro ou misturado ao diesel em diversas proporções. A mistura de 2% de biodiesel de petróleo é chamada de B2 e assim sucessivamente, até o biodiesel puro, denominado B-100.

METAS
A determinação do governo federal é de que a partir deste ano todo o óleo diesel seja comercializado com adição mínima de 2%. Essa mistura é chamada de B2. A partir de 2008, este percentual sobe para 5% (B5).

As autoridades acreditam que o uso do novo combustível trará ganhos sociais, econômicos e ambientais para o país, ao privilegiar a participação da agricultura familiar, gerando emprego e renda no campo, permitindo a redução das importações de diesel de petróleo e melhorando a qualidade do ar nos centros urbanos.

Ricardo Polato

É cada vez maior a produção e produtividade do setor agrícola brasileiro, e isso é influenciado pelo investimento do empresário rural que vem desenvolvendo sua empresa dentro da porteira, investindo no que há de mais moderno em técnicas de produção e no parque de máquinas.

Entretanto, este ciclo de desenvolvimento que passou pelo campo não foi suficiente para impedir uma grave crise em diversas áreas do setor, que vêm se arrastando há cerca de dois anos devido à combinação de vários fatores, tais como o aumento dos custos de produção, queda de safra, ataque de novas pragas à lavoura, juros e carga tributária nas alturas, precária infra-estrutura de transportes, queda dos preços internacionais e desvalorização do Dólar perante a moeda brasileira. Toda essa problemática ganhou uma maior dimensão pela sua crescente importância no país. O setor representa em média, 33% do PIB brasileiro, 42% de toda a exportação nacional e 37% dos empregos brasileiros segundo dados do MAPA.

Essa atual conjuntura impõe aos empresários rurais excelência na gestão dos negócios antes, dentro e depois da porteira. Na fazenda, o produtor rural tem que dar espaço ao empresário rural, cada vez mais, planejando, buscando conhecimento, atento aos riscos e entendendo do funcionamento dos mecanismos de comercialização a fim que possam fazer com que a empresa cresça com sustentabilidade. O planejamento e monitoramento dos riscos é que vão possibilitar ao produtor crescer com segurança.

Planejamento é apenas o primeiro passo na busca de alcançar a eficácia nos negócios. Sem implementação do que se foi esquematizado, o plano tem pouco ou nenhum valor, seja na opção pela cultura a produzir, investimento em máquinas, ou aquisição de novas terras. Avaliando se, de fato, vai representar um acréscimo de renda ou vai ser apenas mais um custo no futuro. O planejamento de qualquer empresa do agronegócio requer dados gerados por toda a cadeia produtiva, ou seja, antes, dentro e fora da porteira levando em consideração o longo prazo, analisando a conjuntura e as tendências mais prováveis. Sendo importante, a abrangência e a qualidade das informações utilizadas para a tomada de decisão, para só depois, fazer os investimentos necessários.

Outro ponto muito discutido atualmente na moderna agricultura é a importância da comercialização, que se relaciona diretamente com o desempenho agregado do setor. São muito importantes os mecanismos de mercado globais de commodities, para gerenciamento dos riscos ligados às oscilações de preços da atividade agrícola. Mas para que se faça bom uso dessa ferramenta é necessário acompanhar fortemente o mercado e conseguir aproveitar os dados que ele gera.

Destacam-se oportunidades de maiores ajustes na gestão da propriedade rural, como entre outras coisas, a reavaliação dos custos de produção. Principalmente no que se refere aos custos operacionais, tais como, combustível, manutenção de maquinários, fretes e mão-de-obra, os quais são difíceis de financiar e são imprescindíveis em todo processo produtivo. Esses custos representam cerca de 44% dos custos totais, ficando os outros 56%, a cargo de gastos com insumos e defensivos agrícolas, que apresentam maior abertura para negociação e facilidade de financiamento.

As qualidades nas operações realizadas em campo são cruciais para uma boa produtividade. Analisando algumas pequenas áreas agrícolas, podemos verificar que muitos empresários rurais ainda não dão tanta importância a princípios básicos, tais como a conservação do solo, evitando erosões e utilizando o sistema de plantio direto; a manutenção e regulagem correta dos maquinários, pois uma máquina mal regulada, gera desperdício e falhas de operações; aquisição de cultivares que atendam às necessidades da região, considerando clima, terreno, ciclo desejado e doenças propícias; adubação correta do solo e aplicação de defensivos agrícolas em períodos corretos, seguindo as regulamentações técnicas da cultivar plantada.

Dentre essa extensa lista de agravantes que os empresários rurais são obrigados a enfrentar, outra problemática que piora ainda mais o colapso do setor agroindustrial, a deficiência da logística nacional, não só nos transportes, como também na armazenagem. A infra-estrutura rodoviária se encontra em péssimas condições, o que aumenta ainda mais o custo de produção no momento da compra de insumos e no momento da venda da produção. Há uma necessidade de reestruturar a rede logística brasileira, atualmente baseada no transporte rodoviário, empregando recursos para a melhoria de outros meios de transportes mais econômicos como o hidroviário ou ferroviário.

Cabe ao empresário rural desenvolver estratégias logísticas que amenizem esse custo, utilizando-se de uma frota e equipamentos de armazenagem modernos, e verificando as melhores formas de conduzir a produção, desde a fazenda até a agroindústria de processamento ou portos para exportação.

Essa necessidade de inovar sucessivamente afeta de forma tão ampla a cadeia agroindustrial, que não apenas processos e produtos devem ser revistos, mas também a capacitação de gestão para evitar que as mudanças sociais, ambientais e econômicas que ocorrem rapidamente afetem o bom funcionamento do negócio.

Bacharel em administração, especializando em gestão empresarial e consultoria em agronegócios.
E-mail: ricardopolato@hotmail.com

De acordo com a Agência Estadual Sanitária Animal e Vegetal (Iagro) no Pantanal a campanha de vacinação terá o termino no dia 15 de Dezembro.Serão imunizados mais de 12 milhões de cabeças de gado, em geral o rebanho do estado é de aproximadamente 24 milhões de bois e búfalos.

Animais de 24 meses devem ser vacinados no Planalto e região do Pantanal. O Iagro lembra ainda que os criadores do Planalto têm até dia 15 de dezembro para fazer a comprovação da vacina em seu rebanho. Os pecuaristas do Pantanal têm até dia 30 de dezembro para a comprovação da vacinação.

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