outubro 2006


Ágide Meneguette*

Começa a 1.º de novembro uma nova campanha de vacinação contra febre aftosa, praticamente um ano após ter sido anunciado pelo governo do estado – no fatídico dia 21 de outubro de 2005 – a existência de grave suspeita de focos de aftosa no Noroeste do Paraná. Somente agora o estado passou a ser considerado pelo Ministério da Agricultura como livre da doença e, portanto, apto a vender carnes para outros estados. Falta ainda que a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) chancele essa decisão e os países importadores voltem a aceitar os nossos produtos.

Que esse triste episódio nos sirva de lição e nos leve a tornar mais eficientes as campanhas de vacinação para afastar de vez a aftosa de nossos rebanhos. Não basta apenas vacinar o gado; isso já vem sendo feito com responsabilidade pela maciça maioria dos nossos pecuaristas. Como vimos pela ocorrência dos focos no ano passado, é preciso mais. Muito mais. É crucial uma vigilância permanente que depende não apenas dos governos federal e estadual, mas também da iniciativa privada.

Lembro que, para conseguir que o Paraná fosse reconhecido pela OIE como livre de aftosa em maio de 2000, o governo do estado e os produtores rurais, através de suas entidades, realizaram um grande esforço, a partir da consciência de que a defesa da sanidade animal e vegetal é assunto que interessa a todos. A Faep, por exemplo, participa, desde a década de 1990, das assembléias da OIE e de eventos em que a sanidade é o assunto. Tem enviado técnicos à Europa para aprender como o mercado exige que seus fornecedores trabalhem, não apenas no que diz respeito à saúde dos animais, mas também quanto à rastreabilidade, condição indispensável, na atualidade, para garantir a permanência no comércio mundial.

Importantíssima foi a criação do Conselho Estadual de Sanidade Agropecuária (Conesa) e os Conselhos Municipais e Intermunicipais de Sanidade Animal, incorporando de fato a sociedade na luta contra as doenças e pragas que assolam a agropecuária.

Tudo isso foi em vão em outubro do ano passado, simplesmente porque o governo do estado se arrogou no único agente da defesa sanitária, praticamente ignorando a participação da sociedade. E o resultado foi o grande prejuízo dos pecuaristas que deixaram de vender seus bois e seus suínos, tiveram de jogar fora milhões de litros de leite e viram os preços dos seus produtos despencarem.

Não queremos que isso ocorra novamente, e para tanto é vital não descuidar um só momento. É preciso vacinar todo o gado que estiver na idade adequada. Mais ainda, toda a sociedade deve pressionar as autoridades para que elas façam a sua parte, seja no município, no estado ou no país.

O sistema de defesa sanitária agropecuária deve começar, no município, pela conscientização de suas autoridades e sua população. Ao governo do estado cabe o dever de manter uma vigilância rigorosa não apenas internamente, mas também em suas divisas para evitar a entrada de animais contaminados. Ao governo federal cabe prover recursos para que a defesa seja eficiente em todo o país, especialmente nas nossas fronteiras, por onde certamente entrou, no Mato Grosso do Sul, o vírus da aftosa que tantos prejuízos nos trouxe nesse último ano.

Que esta campanha seja um recomeço e que todos os agentes – pecuaristas, industriais e autoridades – estejam imbuídos de um propósito sério e firme de recuperar o status de estado livre de aftosa, reconquistando os mercados que perdemos e avançando ainda mais. A pecuária é um setor importante demais, responsável por milhares de empregos, para ser negligenciado.

*Ágide Meneguette é presidente da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep).

Depois de muitos problemas nas últimas duas safras, pelo menos no que depende do regime de chuvas ‘São Pedro’ tem colaborado com os sojicultores mato-grossenses. As precipitações vêm em quantidade considerada muito boa e acontecem no início do dia ou à noite, sem interferir na semeadura. Até a última sexta-feira, 43% da área destinada à soja em Mato Grosso estava cultivada, ou pouco mais de 2,1 milhões de hectares (ha).

Os dados divulgados pela Agência Rural (AgRural), ontem, levam em consideração a estimativa de uma área de 5 milhões/ha de soja no Estado para esta safra.

Como observa a analista de mercado da AgRural em Cuiabá, Maria Amélia Tirloni, há uma dobradinha que tem facilitado a evolução do plantio da safra 06/07. “Primeiro porque as chuvas não têm interrompido os trabalhos. Elas vêm pela manhã ou à noite. Já outro fator que tem dado agilidade aos trabalhos no campo é a redução de área no Estado. Área menor imprime mais ritmo”. Em relação ao ciclo anterior, as estimativas são de que a sojicultura feche esta safra com queda de cerca de 15% a 20%, saindo de 5,9 milhões/ha. Comparando a evolução do plantio atual com os dados do mesmo período do ano passado, há crescimento de cerca de 15% no volume de hectares plantados. Em apenas uma semana, o plantio em Mato Grosso evoluiu 15 pontos percentuais.

“Neste mês de outubro, o clima tem ficado próximo ao dos sonhos de qualquer produtor, com céu azul e sol forte durante o dia e chuvas de bom volume à noite. As precipitações acumulam mais de 300 milímetros em alguns pontos do Mato Grosso desde o primeiro dia do mês”, explica Maria Amélia.

O Estado é o primeiro produtor nacional de soja a iniciar a nova safra. Em Lucas do Rio Verde (360 quilômetros ao Médio Norte de Cuiabá), poleposition no plantio em nível nacional, cerca de 90% da área de 200 mil/ha está plantada. Lucas iniciou o cultivo no dia 16 de setembro com a variedade precoce e a colheita dos primeiros hectares está prevista para até a última semana de dezembro.

Em Sorriso (460 quilômetros ao Médio Norte de Cuiabá) – maior produtor mundial de soja em área – até a última sexta-feira, 70% dos mais de 600 mil/ha estavam cultivados.

Maria Amélia destaca que a precoce é utiliza por produtores que tem a intenção de aproveitar a mesma área com a safrinha de algodão. “No Estado isso acontece em Lucas do Rio Verde, Campos de Júlio e Sorriso. Ou seja, uma mesma área produz duas safras no mesmo ciclo (06/07)”.

BRASIL

“O clima praticamente perfeito deste início de safra está permitindo um dos melhores começos de plantio dos últimos anos no Brasil”, exclama Maria Amélia.

Ainda segundo o levantamento realizado pela AgRural, 23% da área nacional, estimada em 20,75 milhões/ha estavam plantados até a última sexta-feira, contra 18% há um ano. Em uma semana, o avanço foi de 11 pontos percentuais. A região onde os trabalhos estão mais acelerados é o Centro-Oeste. O índice de plantio saltou de 19% na semana anterior para 39%.

As principais empresas frigoríficas instaladas em Mato Grosso do Sul abriram as compras delas na manhã desta terça-feira com a melhor cotação da arroba do boi rastreado no prazo de 30 dias a R$ 59, e da vaca a R$ 54. No mercado à vista, o melhor preço do boi é de R$ 57,23 e o da vaca R$ 52.

A unidade da rede Independência em Nova Andradina paga R$ 52 na arroba da vaca a prazo e R$ 50 à vista. A arroba do boi rastreado a prazo é comprada a R$ 58 e R$ 56 à vista.

O frigorífico Bertin, em Naviraí, paga R$ 59 na arroba do boi rastreado a prazo, e à vista R$ 57,23. A arroba da vaca é comprada por R$ 53 a prazo e R$ 51,41 à vista.

O frigorífico Independência em Campo Grande paga na arroba do boi rastreado para 30 dias R$ 59 e R$ 57 à vista. Para a arroba da vaca, o frigorífico paga R$ 54 a prazo e R$ 52 à vista.

Na Capital, o frigorífico Friboi compra a arroba da vaca à vista a R$ 48 e R$ 50 a prazo. A arroba do boi rastreado para 30 dias é cotada a R$ 54 à vista e R$ 56 a prazo.

A unidade da rede Independência em Anastácio compra a arroba do boi rastreado no prazo de 30 dias a R$ 57 e R$ 55 à vista. A arroba da vaca é comprada a R$ 52 a prazo e R$ 50 à vista.

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