julho 2006


Cotado a R$ 10 a saca no município de Maracaju, maio produtor do Mato Grosso do Sul, com área plantada de 65 mil hectares e produção estimada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 240 mil toneladas, os produtores da região esperam que o governo possa intervir no mercado, já que o preço mínimo do produto é de R$ 14,22. A situação revelando que após estiagem e toda a crise que o setor enfrenta, a sua grande chance de recuperação, a safrinha, pode estar comprometida em virtude do preço no mercado.

“Já iniciamos a colheita do milho safrinha, pelo menos 5% da área já esta colhida, e após o veranico e seca nosso produtividade está 30% abaixo, com 3600 quilos por hectare, mas o grande problema agora é o preço, que está horrível, aqui em Maracaju o mercado esta pagando R$ 10, quando o mínimo é R$ 14,22, e se o Governo Federal não intervir o produtor vai ter grandes problemas”, revela o vice-presidente do Sindicato Rural de Maracajú e presidente da Copsema (Cooperativa Agrícola Mista Serra de Maracajú), Élvio Rodrigues.

Segundo Rodrigues a confirmação da produtividade a 3,6 mil quilos, ou seja, de 60 sacos por hectare pode ser comemorada, embora a região pudesse estar com 4,5 mil quilos “tranquilamente”, por não estar longe da média histórica da região, mas a grande preocupação dos produtores agora é comercialização, e também descartou problemas de armazenagem.

“A produtividade não é ruim, perdemos um pouco em virtude do potencial produtivo da região, e também não teremos problema de falta de espaço nos armazéns, o que nos preocupa realmente é o preço do produto, e esperamos que as medidas anunciadas pelo governo, inclusive a intervenção cambial, que fez com que o dólar oscilasse para cima, possa surtir algum efeito, porque se o dólar voltar para o patamar de R$ 2,3 a R$ 2,4 vamos ter milho para ser exportado e podemos voltar o preço ao patamar de R$ 12”, explica.

Quando a possibilidade do produto voltar ao patamar do preço mínimo, Rodrigues explica que não será possível sem que aja uma forte intervenção da Conab (Companhia Brasiléia de Abastecimento) comprando dos produtores.

“Não volta a R$ 14, neste preço só se governo interviesse comprando pelo menos umas 600 mil toneladas, ai sim, voltaríamos a ter o preço dentro deste patamar”, conclui.

De acordo dados de junho do IBGE, o Estado deve produzir na safra de milho safrinha 1,635 milhão de toneladas com produtividade média de 3090 quilos por hectare. Portanto, a intervenção estimada pelo produtor representa praticamente um terço da produção do estado.

O presidente da Acrissul (Associação dos Criadores de Gado de Mato Grosso do Sul), Laucídio Coelho Neto, criticou a decisão do governo do Estado de reajustar em até 8,6% a arroba do boi e da vaca. “O Governo tinha que ter a mesma eficiência que tem para aumentar, para reduzir quando o preço está em baixa”, explica ele, referindo-se que para reduzir a pauta é preciso meses de negociações.

”Ao primeiro sinal de melhora do mercado o governo eleva o custo ao produtor”. Pela nova portaria, publicada na edição de hoje do Diário Oficial do Estado a pauta fiscal do boi gordo leva em consideração o valor de R$ 49,70 pela arroba contra os R$ 47,00 pagos anteriormente, alta de 5,76%, enquanto no caso da vaca gorda o valor aumentou de R$ 40,80 para R$ 44,30, crescimento de 8,6%.

Ignorando totalmente a crise enfrentada pela classe produtora e os indicadores econômicos que apontam queda de 4,25% no preço da arroba do boi pago ao produtor sul-mato-grossense em junho deste ano em relação a junho do ano passado, o governo do Estado, por meio da Secretaria Estadual de Receita e Controle, publicou na edição de hoje do Diário Oficial do Estado a Portaria nº 1.803, de 28 de julho de 2006, aumentando em até 8,6% o valor usado como base para fins de cobrança de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) do boi gordo e da vaca gorda.

Pela nova portaria, a pauta fiscal do boi gordo leva em consideração o valor de R$ 49,70 pela arroba contra os R$ 47,00 pagos anteriormente, alta de 5,76%, enquanto no caso da vaca gorda o valor aumentou de R$ 40,80 para 44,30, crescimento de 8,6%. No dia 20 de setembro do ano passado, a Secretaria de Receita e Controle tinha reduzido a pauta fiscal do boi gordo e da vaca gorda em torno de 15,6%, mas os valores foram considerados insuficientes pela classe pecuarista que amarga preços baixos desde o fim de 2004. Nas operações interestaduais com bovinos, o valor de referência para a cobrança do ICMS são semelhantes aos utilizados nas operações internas, tanto para o boi, quanto para a vaca. Arquivo

A medida adotada hoje pelo governo do Estado vai na contramão da adotada pelo governo do Paraná que, no início deste mês, publicou decreto que isentava de ICMS a venda de carnes de aves, de bovinos, de suínos e de bubalinos para outros Estados. No início do mês o presidente da Acrissul (Associação dos Criadores do Mato Grosso do Sul), Laucídio Coelho Neto, já tinha reclamado da pauta fiscal do boi e da vaca no Estado. Conforme ele, o motivo do comportamento seria porque o Estado é insensível aos apelos da classe produtora e também dos consumidores estaduais que pagam a mais pelos produtos comprados no Estado.

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