junho 2006
Monthly Archive
qui 29 jun 2006
A Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne Bovina (Feicorte 2006), o maior evento in door de pecuária de corte na América Latina, realizada de 20 a 24 de junho, em São Paulo (SP) encerrou sua décima segunda edição com crescimento de 10% em relação a edição do ano passado, segundo a organização. Além disso, o faturamento total dos leilões registrou crescimento de 12,24% e média geral 27,80% superior em relação à edição de 2005. Segundo Cristina Bertelli, coordenadora de eventos de agronegócio do Agrocentro, empresa promotora da Feira, esses resultados foram alcançados devido ao foco que foi dado pelos leilões, priorizando a qualidade ao invés da quantidade dos animais.
A maior média dos leilões aconteceu no Leilão Sampa Embryo Nelore que alcançou R$ 37 mil. No ano passado o mesmo leilão teve média de R$ 18.200,00. Já o maior faturamento aconteceu no Leilão Premium de Simental que chegou ao valor total de R$ 1.134.400,00. Em 2005 o mesmo leilão alcançou R$ 850.000,00.
A movimentação gerada pelo público, a qualidade do congresso e das palestras, a comercialização de animais nas argolas e nos leilões, a venda de insumos, produtos, equipamentos e maquinários, e os contatos gerados, foram extremamente positivos e consolidam de fato a Feicorte como uma excepcional oportunidade para a realização de negócios da cadeia produtiva da carne bovina.
“Todos os anos trazemos novidades para diferentes públicos, desde produtores e fornecedores, até veterinários, zootecnistas e universitários, sempre acompanhando o avanço tecnológico. Trabalhamos para concentrar num só lugar todos os elos da cadeia produtiva da carne e proporcionar a todos excelentes oportunidades de negócios”, afirma Cristina Bertelli.
Nessa edição, a Feicorte contou com mais de 3,5 mil animais representando 20 raças zebuínas, taurinas e sintéticas, de 500 criadores e de 1.000 propriedades de todo País. A Feicorte se consolida também como palco das mais importantes exposições das raças bovinas de corte, entre elas a Exposição Nacional das Raças Simental e Simbrasil, Exposição Nacional da Raça Angus, Exposição Nacional da Raça Blonde D´Aquitaine, Exposição Nacional da Raça Santa Gertrudis, Exposição Regional Obrigatória das Raças Nelore e Nelore Mocho, e Exposição Nacional da Raça Guzerá, que este ano comemorou o jubileu de ouro na feira.
Outro sucesso foi o Congresso Internacional, que com enfoque voltado para a pecuária profissional, concentrou suas palestras em questões gerenciais para a construção de um modelo de negócio moderno, sustentável e lucrativo, reunindo empresários de sucesso de outras áreas empresariais como Mc Donalds, Fundação Getulio Vargas, Pão de Açúcar, Fundação Bradesco, Embrapa, Citibank, Frigoclass, Deloitte, DNV International, entre outras. “O objetivo era permitir ao público se voltar para a análise das causas das dificuldades e na identificação de ações concretas para reforçar a competitividade na pecuária de corte”, explicou Cristina.
A Cozinha Interativa Feicorte, já em sua terceira edição, teve um sabor especial e reuniu mais de 180 pessoas. Chefes de diferentes restaurantes e instituições fizeram demonstrações e deram dicas de pratos a base de carne elaborados com receitas simples, práticas, econômicas e saborosas. São pratos ideais para o dia-a-dia da dona de casa, com toque de sofisticação, o que dá um novo aspecto para os cortes menos favorecidos.
A Feicorte contou com a presença do Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Roberto Rodrigues, que circulou pela feira e teve a oportunidade de conversar com representantes de diferentes associações de raças. Estiveram presentes também representantes das feiras nacionais Fenagro, Expointer, Expogrande, Pec Nordeste e das internacionais Royal Winter Fair, parceiras da Feicorte. “Também estendemos nossa parceria para as feiras Farm Fair e Canadian Western Agribition também do Canadá”, completa Cristina.
Além disso, o trabalho de três anos realizado pelo Agrocentro com as câmaras setoriais dos países estrangeiros representadas no Brasil e as visitas às feiras internacionais, começaram a dar frutos. Nessa edição da Feicorte, foram mais de 300 estrangeiros, de diferentes países, sendo algum deles com estande no evento. É o caso dos Estados Unidos que veio com a maior delegação – 50 pessoas – , Reino Unido, Canadá, Uruguai, Argentina, Venezuela, Namíbia, Portugal, Espanha e Costa Rica. Para 2007, o Agrocentro já recebeu solicitações da França, EUA e Austrália interessados em ser expositor na Feicorte 2007.
“Outra novidade é que a Feicorte foi convidada a participar da concorrência de uma convenção internacional de gado de corte, que é realizada a cada 4 anos por uma multinacional do setor e conta com a participação de representantes de 35 países. Nós vamos concorrer com Austrália, Nova Zelândia e África do Sul para realizar essa convenção na Feicorte 2007”, afirma Cristina.
Esse ano a feira teve uma programação intensa e diversificada, envolvendo todos os setores da cadeia produtiva da carne. “Para 2007, nosso trabalho será ainda maior para fortalecer mais a feira como um evento totalmente voltado para os negócios”, finaliza.
qui 29 jun 2006
Para muitos a salvação da lavoura, para outros a grande alternativa para frente os combustíveis à base de petróleo. O Biodiesel é um combustível biodegradável derivado de fontes renováveis, como a mamona, o dendê (palma), o girassol, o babaçu, o amendoim, o pinhão manso e soja, dentre outras, pode ser obtido por diferentes processos tais como o craqueamento, a esterificação ou pela transesterificação. Isso já é uma realidade em algumas localidades do país, como no município de Jaraguari, localizado a 46 quilômetros de Campo Grande, onde está instalada a Projebio, esmagadora de grãos e transterificadora (transformadora de óleo vegetal em biodiesel).
Com 18 meses de instalação, a Projebio foi projetada e elaborada com recursos próprios, e já está operando em fase de teste, com esmagamento de 50 toneladas/dia de oleaginosas e produção de 15 mil litros de biodisel/dia. A tecnologia aplicada é francesa e conta com uma parceria com a Universidade Norte-Americana de Harvard, que dispõem os técnicos e pesquisadores para o treinamento de pessoal.
Segundo o diretor da Projebio, o médico-veterinário Marcio Fernandes, os norte-americanos estão no projeto por acreditarem que o biodiesel é o combustível do futuro “nós próximos 30 ou 40 anos será a mola propulsora de desenvolvimento na questão do desenvolvimento de combustíveis”, disse. Até 2008 o Brasil deve implementar 2% de biodiesel em todo diesel comercializado no país, o que significa R$ 800 milhões de biodiesel, “até 2008 estaremos produzindo 100 mil litros do combustível por dia”, declarou Marcio Fernandes.
A Projebio dividiu sua atuação em duas áreas, a produção agrícola e indústria. Na primeira, a empresa desenvolve um importante papel social envolvendo a agricultura familiar. O projeto já tem 1000 produtores cadastrados, representa 30% da produção de oleaginosas e vai empregar 5000 famílias. Nele os agricultores produzem em suas propriedades os grãos utilizados na fabricação de biodiesel, limitando a lavoura de cada família em três hectares, além disso, cedem as sementes para os produtores, “garantimos o preço mínimo para todos os agricultores familiares, no caso da mamona, por exemplo, é garantia o pagamento de R$ 33,50 por saca de 60kg”, afirma Márcio, lembrando que são utilizados os índices publicados na Gazeta Mercantil como balizador dos preços quando estes estão acima do preço mínimo.
No caso da indústria a iniciativa também traz uma série de benefícios para a comunidade local, serão 80 empregos diretos gerados na fábrica, mão-de-obra que já está sendo capacitada pelo corpo de técnicos e pesquisadores da Universidade de Harvard, “teremos uma massa de trabalho bem treinada e apta para o trabalho com o combustível e que deve crescer junto com a necessidade pelo óleo”, contou Marcio Fernandes.
Unidades de fabricação de óleo vegetal
Uma das metas da Projebio é a descentralização da produção de óleo vegetal, “todo produtor rural, associação de agricultores e cooperativas terão como fazer o esmagamento de grãos ou outros produtos que possam originar óleo, em sua propriedade”, disse Fernandes ao citar a máquina de esmagamento de grãos. Ele citou como vantagens que o produtor vai passar a comercializar o óleo, que já é um produto com valor agregado, tem bom preço no mercado, cerca de U$ 420,00 dólares a tonelada do óleo, além de ficar com o farelo do grão, de grande valor energético para alimentação dos animais. Para isso, o interessado deve adquirir uma máquina de esmagamento, que atualmente tem custo entre U$ 10.000,00 e U$ 15.000,00, maquinário que poder ser pago com a produção de óleo.
Com esse tipo de estrutura, de pequenos fabricantes de óleo vegetal na região norte de Mato Grosso do Sul, a Projebio espera aumentar rapidamente sua escala de produção, com baixo custo para a indústria e para os produtores “um caminhão tanque fará o recolhimento do produto nas propriedades credenciadas, sem custo de frete para o agricultor”, afirmou Marcio. O executivo disse ainda que a produção de biodiesel pode ser a solução para a crise da agricultura, principalmente da soja “não tenho dúvidas que é uma válvula de escape importante para os produtores deste região”.
A Projebio está localizada no município de Jaraguari, MS, e vai atuar diretamente com produtores da região norte. Para mais informações os interessados devem entrar em contato no fone (67) 3322-0100.
O biodiesel no Brasil
O biodiesel substitui total ou parcialmente o óleo diesel de petróleo em motores ciclodiesel automotivos (de caminhões, tratores, camionetas, automóveis, etc) ou estacionários (geradores de eletricidade, calor, etc). Pode ser usado puro ou misturado ao diesel em diversas proporções. A mistura de 2% de biodiesel ao diesel de petróleo é chamada de B2 e assim sucessivamente, até o biodiesel puro, denominado B100.
Segundo a Lei nº 11.097, de 13 de janeiro de 2005, biodiesel é um “biocombustível derivado de biomassa renovável para uso em motores a combustão interna com ignição por compressão ou, conforme regulamento, para geração de outro tipo de energia, que possa substituir parcial ou totalmente combustíveis de origem fóssil”.
A transesterificação é processo mais utilizado atualmente para a produção de biodiesel. Consiste numa reação química dos óleos vegetais ou gorduras animais com o álcool comum (etanol) ou o metanol, estimulada por um catalisador, da qual também se extrai a glicerina, produto com aplicações diversas na indústria química.
Além da glicerina, a cadeia produtiva do biodiesel gera uma série de outros co-produtos (torta, farelo etc.) que podem agregar valor e se constituir em outras fontes de renda importantes para os produtores.
qui 29 jun 2006
Em meio a crises no agronegócio, surge uma opção de mercado
Mato Grosso do Sul conta com cerca de 16 mil cortadores de cana-de-açúcar e já tem uma produção que enche os olhos. Na última safra, foram plantadas 156,4 mil hectares do produto no Estado. Apesar dos dados positivos, a preocupação das plantações de cana está no preparo que os profissionais devem ter.
Preocupado com a capacitação dos trabalhadores rurais, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – Administração Regional de Mato Grosso do Sul (SENAR-AR/MS) durante esta semana está estruturando um curso com dois técnicos do SENAR-AR/SP para os cortadores de cana-de-açúcar. São oferecidas 40 vagas, e o projeto é piloto.
O cultivo da cana-de-açúcar no Brasil vem desde a colonização, com a produção de açúcar nos engenhos, representando uma atividade de grande importância no desenvolvimento econômico do país. E a cana-de-açúcar não é um produto único, é também matéria-prima na produção do álcool anidro, hidratado, energia natural, bebidas, cosméticos, plásticos, papéis, rações animais, entre outros.
O Brasil é o maior produtor de cana-de-açúcar do mundo, seguido pela Índia e Austrália. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Mato Grosso do Sul tem hoje 156,4 mil/ha de cana-de-açúcar na safra atual distribuídos em 14 municípios do Estado, e destes, os principais produtores são: Itaquiraí, Naviraí, Nova Alvorada, Nova Andradina, Maracaju, Rio Brilhante, Sidrolândia e Sonora.
A renda do setor sucroalcooleiro é a terceira maior do agronegócio brasileiro, ficando atrás somente da soja e do milho. Em Mato Grosso do Sul houve um crescimento significativo do cultivo da cana e segundo a previsão do Conselho de Desenvolvimento Industrial (CDI), que é ligado à Secretaria da Produção e Turismo do Governo de Mato Grosso do Sul, os empregos podem triplicar, dos atuais 15.074 vagas podem chegar a 43.238 vagas.
Os números comprovam que as perspectivas são visíveis para o desenvolvimento e crescimento do setor sucroalcooleiro no Estado, mas não há nenhum estudo que identifique os agentes econômicos e as atividades desenvolvidas pela cadeia produtiva do açúcar e do álcool em MS. “A ausência de um diagnóstico conduz à elaboração de políticas públicas e privadas ineficazes e até mesmo equivocadas para o desenvolvimento sustentável da cadeia” constatação feita pelas acadêmicas Catiana Sabadin e Eliane Vilalba Gonçalves que desenvolveram um estudo da cadeia produtiva do açúcar e do álcool no Estado.
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