maio 2006


Com maquinários em frente à agência, produtores protestam em São Gabriel do Oeste
Um grupo de cerca de 250 produtores rurais protestam desde às 9 horas em frente a agência do Banco do Brasil de São Gabriel do Oeste, primeiro município do Estado a deflagrar o movimento Alerta no Campo em Mato Grosso do Sul, dia 26 de abril. Os produtores também interditam a rua do banco, a Minas Gerais, manobra adotada por estarem impedidos por decisão judicial de bloquearem prédios públicos e rodovias federais e estaduais. Não é impedido o acesso de funcionários e clientes a agência, mas a polícia já esteve no local para advertir os produtores.

Vilson Mateus Brusamarello, do Sindicato Rural de São Gabriel do Oeste, afirma que cerca de 50 maquinários agrícola estão na via. Amanhã a intenção dos produtores é entrar nas agências, o que deve tumultuar o atendimento. A partir de 17 horas eles se reúnem na Câmara Municipal de Vereadores para debater as medidas anunciadas no pacote agrícola, que são consideradas insuficientes pelo setor.

Pesquisa aponta que área plantada com cana-de-açúcar crescerá acima da média nacional em MS
De olho na chegada de novas usinas e destilarias, agricultores estão expandindo as áreas plantadas com cana-de-açúcar em todo o País. No caso de Mato Grosso do Sul, onde o governo tem apoiado os projetos, previsão divulgada hoje pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) aponta para a expansão de 14,5% na área plantada na safra 2006/2007 em relação à 2005/2006, passando de 139,1mil hectares a 159,3 mil hectares e salto de 1,8% na produtividade, passando de 70,4 mil quilos por hectare a 71,6 mil.

Com esses fatores o aumento esperado na produção da cana-de-açúcar em Mato Grosso do Sul é de 16,5% na próxima safra, que deve alcançar os 11,4 milhões de toneladas contra 9,7 milhões na safra colhida este ano. O aumento de produção representa o dobro do esperado para o Brasil, de 8,9%, conforme a Conab. Isso porque o crescimento nacional da área plantada será de apenas 5,4%.

Da produção esperada para Mato Grosso do Sul, 10,6 milhões de toneladas serão destinadas à indústria sucroalcooleira, sendo 4,1 milhões para produção de açúcar e 6,4 milhões para a produção de álcool, proporção inversa à nacional, que destina 56% da produção à produção do açúcar.

Apesar de a produção de álcool predominar na destinação da cana-de-açúcar, é a produção de açúcar que deve ter o crescimento mais acentuado em Mato Grosso do Sul na próxima safra. A produção de açúcar esperada para a próxima safra no Estado é de 505 mil toneladas, ou seja, 49% a mais que os 337,17 mil toneladas desta safra 2005/2006. A produção de álcool deve atingir 598,1 milhões de litros, contra 585,6 milhões, aumento de 2,3%. Do álcool a ser produzido no Estado 236,9 milhões de litros serão de anidro (aquele que é adicionado à gasolina na proporção de 20%) e 361,1 milhões do hidratado. Não há previsão de produção de álcool neutro no Estado.

Estima-se que a Indústria Sucroalcooleira Brasileira esmagará, na Safra 2006/07, 423,4 milhões de toneladas (90,1% da produção nacional), das quais, 237,1 milhões (56,0%) serão destinados à produção de açúcar e 186,3 milhões (44,0%) serão destinados à fabricação de álcool. Deste total, a região Sul participa 34,1 milhões de toneladas (8,1%), a Sudeste com 294,4 milhões (69,5%), a Centro-Oeste com 41,8 milhões (9,9%), a Nordeste com 51,8 milhões (12,2%) e a Norte com 1,5 milhão (0,4%).

Uma conjugação perversa de problemas – seca, queda do preço das commodities e valorização do real nos últimos anos. Estas são, na avaliação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, as principais causas para a crise que o setor rural brasileiro atravessa.

Mantega fez esta declaração durante audiência pública realizada pela Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados. Apesar da precisão do diagnóstico, o ministro não disse o que os produtores presentes esperavam ouvir: as soluções que o governo ainda tem a oferecer para solucionar a questão, uma vez que as medidas adotadas até agora, na avaliação do próprio ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, não são suficientes.

Limitou-se apenas a destacar a importância que a atividade tem para a economia do País, seja na geração de emprego, no ingresso de moeda estrangeira via exportação e na redução do valor da cesta básica.

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