Segundo a gerente de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, o setor foi um dos que impediu um crescimento mais significativo do PIB
Afetado pelas quebras de safra de diversos produtos representativos para o PIB do país e pela ocorrência da febre aftosa, o setor agropecuário cresceu 0,8% em 2005, a menor taxa desde 1997 (-0,8%), de acordo com o IBGE. Em 2004, o setor apresentou crescimento de 5,3%.
Segundo a gerente de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, o setor foi um dos que impediu um crescimento mais significativo do PIB.
Em comparação a 2004, houve queda de produção nas culturas de algodão (-26,7%), milho (-16,5%), café (-13,1%), fumo (-2,8%), laranja (-2,3%) e arroz (-0,3%).
Mesmo as produções que cresceram no ano tiveram seus desempenhos abaixo do esperado. Foi o caso da soja, que registrou taxa de 3,3%. Mandioca (11%) e cana de açúcar (1,3%) também tiveram variações positivas.
Já a influência da febre aftosa se deu no último trimestre do ano e atingiu sobretudo o Estado do Mato Grosso do Sul, grande produtor de carne bovina.
No trimestre, em comparação com o mesmo período do ano anterior, a agropecuária apresentou variação negativa de 1,8%.
Queda na renda
Para o chefe do Departamento Econômico da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), Getúlio Pernambuco, os números do IBGE não traduzem a realidade, que se mostrou pior para o produtor, pois a metodologia da instituição é baseada na quantidade produzida e não na renda.
Segundo a CNA, houve queda de 10% na renda do produtor rural, o equivalente a R$ 17 bilhões. Entre os fatores para o desempenho ruim, a CNA destacou a estiagem prolongada na região Sul, a redução dos preços recebidos pelo produtores e a valorização do real diante do dólar.
Campo Grande/MS - Embora a 68ª Expogrande seja oficialmente aberta apenas no dia 30 de março, os leilões de animais terão início três dias antes, no recinto de exposições do Parque Laucídio Coelho, em Campo Grande. Segundo a assessoria da Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul), as inscrições de animais para os certames poderão ser realizadas até o dia 25 do próximo mês. Serão duas etapas para os animais: dos dias 27 de março a 3 de abril e de 4 a 9 de abril.
A entrada dos animais será nos dias 26 e 27 do próximo mês, com pesagem de animais nelore e nelore mocho no dia 28 de março, às 8h. O julgamento da raça, por sua vez, ocorrerá dos dias 29 a 31 de março – o processo para os mochos será nos dias 31 de março e 1º de abril. Já o ingresso de animais de outras raças, para a segunda etapa de leilões, ocorre em 5 de abril. O calendário de julgamentos ainda está sendo fechado.
Os pecuaristas devem encaminhar os pedidos de inscrição acompanhados de fotocópia e certificado de registro do animal, além da identificação do expositor. A organização irá ceder alojamento para até dois peões por expositor, sendo que a reserva deve ser feita no instante da inscrição. A alimentação dos funcionários fica a cargo do expositor. Os animais terão cama e verde fornecidos pela Acrissul.
O regulamento da tabela de peso de cada raça será rigorosamente obedecido. A programação inicial da Expogrande prevê 41 leilões, contemplando bovinos, eqüinos e ovinos. Em 2005, a feira movimentou R$ 133 milhões. Para este ano, segundo Laucídio Coelho Neto, a expectativa é de que os negócios fiquem até 30% abaixo da edição anterior, por conta dos problemas registrados na agropecuária estadual – com a desvalorização do dólar e o reflexo dos casos de febre aftosa constatados no sul do Estado no último quadrimestre de 2005 para a atividade em Mato Grosso do Sul.
Cuiabá/MT – Mesmo distante geograficamente e quase sem nenhum risco de contaminação pela gripe aviária, que está contaminando granjas e matando pessoas na Turquia e já chegou à Europa, está repercutindo negativamente também em Mato Grosso, especificamente nas exportações de frango. O reflexo será representado em número na resultado da balança comercial de fevereiro, ainda não-divulgado.
O medo do vírus reduziu o consumo mundial de carne. E o governo do Estado já começa a se preocupar com a possibilidade das empresas, que prometiam investimentos bilionários no setor, colocarem o pé no freio.
“Ao contrário de que muitos pensavam, a gripe do frango está reduzindo a demanda por essa carne no mundo. As pessoas estão com medo de consumir. Uma rejeição ao produto será desastrosa para os produtores”, afirmou o secretário de Desenvolvimento Rural, Cloves Vettorato.
Segundo Vettorato, a Europa está reduzindo plantéis, o que diminui também a importação de farelos de soja e milho, utilizado na elaboração da alimentação das aves. O Estado produziu mais 60 milhões de cabeças, sendo 30% exportados.
A Perdigão e a Sadia sinalizam a possibilidade de adiar os investimentos, aguardando a reação do mercado consumidor.
As duas grandes empresas anunciaram no ano passado investimentos que ultrapassariam a R$ 1 bilhão para ampliar as plantas industriais no Estado.
Empreendimentos
Alguns dos empreendimentos que em fase de implantação no Estado são da Sadia, que programava abater 1,5 milhão de frango por dia nas duas novas plantas industriais instaladas em Lucas do Rio Verde e Campo Verde, respectivamente 354 km ao Norte e 131 km ao sul de Cuiabá. A Perdigão também programava, com a ampliação da indústria Marry Loise, em Nova Mutum (264 km ao Norte de Cuiabá), abater mais 360 mil aves/dia.
A Anhambi tem planos de processar mais 120 mil aves em Sorriso (420 km ao Norte de Cuiabá) e outras 100 mil aves/dia em Tangará da Serra (239 km a médio norte de Cuiabá), além de outros projetos na área já consolidados no Estado.
“Não sei o que se passa na cabeça dos empresários, mas eles, como a gente, devem estar atentos aos acontecimentos e ao comportamento do mercado. Ninguém vai investir no aumento da produção se não tiver para quem vender”, disse Vettorato.
Essa situação é uma ducha de água fria nas ambições do governo em verticalizar a produção em um curto prazo, transformando a soja e o milho em carne, de maneira a agregar valor à matéria-prima, que o Estado possui em abundância.
Contaminação não se dá pela alimentação
A gripe aviária é resultado da infecção das aves pelo vírus da influenza (ou gripe). E o risco de ser contaminado comendo carne de frango é quase nulo, o vírus não suportar altas temperaturas de cozimento.
A doença apareceu, primeiramente, no sudeste asiático e tem se espalhado pelo mundo. O vírus é transmitido através de aves migratórias (principalmente patos selvagens). Esse tipo de ave não manifesta a doença por ser mais resistente às infecções, apenas serve como reservatório dos vírus. Os sintomas da doença se manifestarão no frango. Os sintomas da gripe aviária de alta patogenicidade nas aves se caracteriza por início súbito, sintomas graves e morte rápida, com taxa de mortalidade próxima a 100%.
O vírus é transmitido no homem através do contato direto com as fezes da ave. O vírus H5N1 é expelido pelo frango através de suas fezes que, depois de secas, se pulverizam e podem ser inaladas pelo ser humano. Outra forma de contaminação é através das secreções, tais como corrimento nasal, espirro e tosse das aves ou pessoas infectadas.
Vettorato fala sobre crise da pecuária
Não é somente a atividade avícola que preocupa o governo do Estado. O secretário de Desenvolvimento Rural, Cloves Vettorato, afirma que a pecuária também vem enfrentando pressões internacionais com fechamento de mercados consumidores por questões sanitárias e desvalorização da arroba.
A saída, afirma Vettorato, é otimizar a criação dos animais e reduzir o custo de produção com informação e tecnologia. Por isso, a partir do dia seis de março, a Seder inicia uma jornada técnica, para levar informações e conhecimento tecnológico a cerca de cinco mil criadores de 60 municípios, onde estão concentradas as propriedades da bovinocultura.
“O objetivo é ajudar a aumentar a produtividade com melhoria na pastagem, no manejo do gado e com a prática veterinária recomendada. Por exemplo, não adianta manter um gado no pasto que não produz um bezerro por ano. O melhor é mandá-lo para o frigorífico”, disse o secretário.
Informações como a produção de um agente biológico que protege a pastagem contra o ataque da cigarrinha, uma praga que reduz compromete os pastos.
A Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural de Mato Grosso (Empaer-MT) produz um agente protetor que combate com eficiência essa praga. Porém, 60% dele é vendido para Rondônia.