março 2005


Pedido de investigação de formação de cartel por parte das grandes indústrias frigoríficas foi entregue hoje ao secretário de Direito Econômico do Ministério da Justiça, Daniel Goldberg, pelo presidente do Fórum Nacional Permanente da Pecuária de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, Antenor Nogueira e pelo presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara, deputado Ronaldo Caiado (PFL/GO).

A representação entregue à SDE solicita a adoção de medida preventiva, proibindo o uso de tabela acordada entre os frigoríficos, que estabelece valores e condições comuns a serem adotadas para a compra do gado. Após a comprovação de infração à ordem econômica, solicita que os frigoríficos sejam condenados às penalidades previstas na Lei 8.884/94, de defesa da concorrência, entre elas multa de 1% a 30% do faturamento bruto da empresa no seu último exercício.

O pedido de investigação de formação de cartel indica que frigoríficos de grande porte teriam cometido infrações à ordem econômica, conforme estabelecido pela Lei de Defesa da Concorrência (Lei nº 8884/94). Antenor Nogueira explica que as práticas adotadas pelos frigoríficos resultaram na queda dos preços pagos ao produtor, que está sob crise de perda de renda. No ano passado, o setor enfrentou alta dos de produção em 10,10%; enquanto que o preço pago pelo gado caiu 0,03%. Análise da CNA mostra, também, que entre janeiro de 2003 e janeiro de 2005, o preço pago pelo boi gordo subiu 4%. No mesmo período, no entanto, o preço médio das exportações subiu 8,4%; o valor de negociação do traseiro, no atacado, teve elevação de 13,1% e o preço no varejo do cupim registrou elevação de 28,6%. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apresentou variação de 15,7%. Ou seja, os números comprovam que a pecuária de corte vem perdendo renda há muito tempo.

Segundo Antenor Nogueira, a ação dos frigoríficos “produz lesão irreparável ou de difícil reparação ao livre funcionamento do mercado da carne bovina no País”. As novas práticas de compra de gado adotadas pelos frigoríficos reduz ainda mais a capitalização no campo, podendo comprometer a atividade a médio prazo. Segundo explica Nogueira, para conseguir manter sua capitalização, os criadores estão aumentando o ritmo do abate de fêmeas, o que reduzirá a oferta de bezerros em médio prazo.

Em 2004, parcela de 35% do total de abates de bovinos envolveu fêmeas. “No início deste ano, a taxa de abate de matrizes está acima de 50%”, diz Nogueira. O pedido de investigação passará agora por avaliação da SDE, que avaliará o material encaminhado pela CNA e Comissão da Agricultura, determinando novas apurações e diligências, caso julgar necessário. Depois dessa fase, o caso seguirá para o Conselho Administrativo de Acompanhamento Econômico (CADE).

A adoção de critérios uniformes na compra de gado bovino foi discutida em diversas reuniões realizadas pelo Fórum Nacional Permanente da Pecuária de Corte da CNA, em Brasília, Goiânia e Campo Grande. Logo depois, o problema foi levado à discussão na Comissão da Agricultura da Câmara, que hoje aprovou requerimento de ação conjunta em favor do pedido de investigação da CNA.

Foi de R$ 2,4 milhões o faturamento do Leião Ventres JB, realizado na noite de ontem (15 de março) no clube Estoril, em Campo Grande. Totalmente virtual, com apresentação das fêmeas e suas produções por meio de telões, o certame, realizado dentro da programação da 67ª Expogrande, foi marcado por bons negócios, presença de várias autoridades e muito glamour. A cifra alcançada nesta edição do certame foi 33% maior que os R$ 1,8 milhão do ano passado.

Foram ofertados 30 prenhezes sexadas de fêmeas, três a menos que em 2004, mas o valor médio de cada uma foi 52% maior, passando de R$ 52,3 mil a R$ 80 mil. Os dados detalhados sobre o certame devem ser divulgados somente amanhã, segundo informou a leiloeira oficial, a Programa Leilões.
As disputas foram acirradas em vários lotes e um dos que se destacou foi oferta do próprio anfitrião, o pecuarista José Carlos Bumlai, comprado pelo grupo Bertim por R$ 150 mil. Participaram 24 convidados, levando animais de linhagens de fêmeas consagradas P.O. (Puro de Origem) e P.O.i (Puro de Origem Importado).

Bumlai foi enfático: “reunimos o que há de bom de grandes linhagens de doadoras e matriarcas”. O certame esta entre os cinco maiores de prenhezes do Brasi, segundo o gerente comercial da Programa Leilões, Carlos Nunes.

Dentre os oito certames que a Programa estará realizando dentro da Expogrande, o de José Carlos Bumlai é um dos mais destacados. “Apesar de ser especificamente de prenhezes deve disputar a melhor média também com os leilões de animais”, acredita Carlos Nunes.

VIPS
Além dos bons negócios, a noite do Leilão JB foi marcada por presenças VIPs no Clube Estoril. Pelo segundo ano consecutivo o apresentador global Galvão Bueno esteve presente e abriu o certame, ressaltando a necessidade de reconhecimento do setor produtivo pelas indústrias.

Também estava presente o governador de Mato Groso do Sul, Zeca do PT, o vice-presidente do Banco do Brasil, Ricardo Conceição, o senador Jonas Pinheiro, da Comissão de Agricultura do Senado, e o deputado federal Abelardo Lupion (PFL /PR). Também estavam no salão do clube Estoril o presidente da Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul), Laucídio Coelho Neto, o secretário de Produção e Turismo, Dagoberto Nogueira, o presidente do SRCG (Sindicato Rural de Campo Grande), Rodolfo Vaz de Carvalho e o presidente da ASCN (Associação Sul-mato-grossense dos Criadores de Nelore), Ulysses Serra Neto.

Os 800 convidados foram prestigiados ao fim dos negócios com show da banda nacional Bruno e Marrone, recordistas de público na edição passada da Expogrande.