Embora a degradação de pastagem seja um processo que pode comprometer todo o rendimento de uma propriedade rural, e que pode acometer qualquer produtor em estágio de despreparo, algumas técnicas podem reverter esse processo que hoje prejudica cerca de oito milhões de hectares em todo Mato Grosso do Sul e quase 50% dos 100 milhões de hectares de pastagens cultivadas em nível de Brasil.
É entre essas “técnicas” que está o ajuste de lotação, curso coordenado pelo Programa de Recuperação, Renovação e Manejo de Pastagens de Mato Grosso do Sul (Repasto), da Secretaria de Estado da Produção e do Turismo (Seprotur), que visa recuperar a pastagem através de uma análise, correção e manutenção do solo (adubação e manejo adequado), e que acaba por contribuir com o aumento do número de animais por área.
A parceria com a Embrapa Dourados, Idaterra e Sindicatos Rurais fez com que o Repasto desse continuidade aos cursos de ajuste de lotação pecuária para produtores, que já vem sendo realizado desde o início do ano. Só essa semana duas turmas já foram formadas e mais duas devem ser concluídas até a próxima sexta. “O curso está sendo bem recebido. Até agora 60 produtores já foram capacitados nos municípios de Brasilândia e Bataguassu”, comenta o coordenador do Repasto, Fábio Stefani.
Técnica – Desde a implantação do Programa, em torno de um milhão de hectares foram recuperados no Estado. Agricultura e Pecuária foram integradas, novas pastagens foram estabelecidas, consorciadas ou simplesmente recuperadas. “Foram usadas sementes de qualidade e espécies adequadas para tipo, textura, local, clima e fertilidade dos solos, e ainda, quando necessário, as áreas foram divididas em sistemas de manejo rotacionado, melhorando o aproveitamento dos pastos”, explica Stefani.
No mês de abril, com a parceria dos sindicatos rurais, da Embrapa Agropecuária Oeste, do Sebrae e da Cadeia da Carne, quatro cursos de ajuste de lotação foram realizados. Ainda insuficiente, novas turmas devem ser programadas, a exemplo das quatro programadas para essa semana, até o fim do ano.
Lucro – O ajuste de lotação é uma forma de otimizar o uso de pastagens, permitindo que os animais façam um desfolhe controlado, sem comprometer o potencial de rebrota das plantas”, disse o coordenador do Repasto, Fábio Stefani ao explicar as vantagens do curso. Ainda segundo ele essa “dieta” garante excelente ganho de peso para o gado sem que ocorra a degradação de pastagem.
Dia de campo – Um exemplo dessa recuperação pode ser vista na unidade do Repasto desenvolvida em parceria com o Sindicato Rural de Bonito. Segundo Stefani, “em Bonito os bons resultados servem até de vitrine para os ruralistas que atuam na área da pecuária leiteira”.
Numa extensão de 9 hectares – total da área da unidade – a lotação chega a 2,9 vacas/ha sendo que cada uma produz cerca de 9,5 litros/dia. Levando em conta que cada litro vale na média anual R$ 0,41 o rendimento por dia chega a R$ 11,45 por hectare e ao mês esse valor representa um total de R$ 338,86.
Esses e outros resultados podem ser vistos durante o Dia de Campo no Sindicato Rural de Bonito que vai avaliar os resultados do primeiro ano da unidade demonstrativa do leite. O evento vai acontecer dia 4 de novembro, a partir das 18h.
Para os interessados em participar dos cursos a inscrição é gratuita bem como o Dia de Campo. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone 318-5025.
CURSOS
28.10 – Nova Andradina
Local: Proger
Horário: das 8h às 17h
29.10 – Ivinhema
Local: Sindicato Rural
Horário: das 8h às 17h