setembro 2004
Monthly Archive
qui 30 set 2004
Mato Grosso do Sul ainda não comercializou 12,5% da soja da Safra de Varão 2003/2004. A estimativa é de técnicos e especialistas do setor. Estima-se que 420 mil toneladas ainda estão armazenadas em poder de cooperativas e produtores no Estado. O número é bem menor em relação aos Estados de Rio Grande do Sul e Paraná, que juntos ainda têm guardadas cerca de 6 milhões de toneladas, mesmo assim reflete a atual situação do mercado internacional da soja. A paradeira é geral e preocupa os setores produtivos.
A comercialização de soja está paralisada há semanas. De acordo com a consultoria Céleres, 77% das 51 milhões de toneladas colhidas no último verão foram vendidas até o momento, o que gera um volume ainda não comercializado em torno de 11,5 milhões de toneladas em todo país. Na mesma data do ano passado, 87% da safra tinha sido vendida, e a média de cinco anos para o período é de 95%, segundo os consultores.
“O mercado está parado por que ainda existe muita indefinição quanto à safra norte americana”, avaliou Leonardo Mussury, diretor comercial de uma cerealista em Dourados. Mussury afirma também que os preços não estão estimulando os negócios. Em Dourados, por exemplo, a saca está casa dos R$ 33 no disponível.
Já o superintende de uma das maiores cooperativas de grãos do Estado, Agomar Francisconi, afirma que a falta de interesse do mercado no farelo de soja é um dos principais fatores para explicar a paradeira no mercado. Agomar cita também a variação cambial da moeda norte americana. “Para os níveis de exportação, o dólar está muito baixo. Para dar suporte aos negócios, o ideal seria que a moeda estivesse no patamar dos R$ 3,10″, disse.
No mercado interno, a paradeira também se mantém. O processamento tem sido suspenso por duas razões, apontam os especialistas. De um lado, a retração do produtor em vender sua mercadoria deixa a indústria desabastecida de matéria-prima. De outro, as indústrias operam com margens negativas e não conseguem cobrir o custo da matéria-prima na venda dos produtos finais (óleo e farelo).
A paralisação da comercialização torna o mercado disponível vazio, e poderá refletir também sobre a venda da safra nova, que começa a ser plantada a partir do dia 20 de outubro. Dourados deve cultivar uma área de 150 mil hectares, cerca de 5% a mais que a safra passada. Os técnicos avaliam que se o mercado continuar travado, a nova temporada (2004/05) vai começar com elevado estoque. O quadro piora quando se constata que a comercialização antecipada da safra 2004/05 também está paralisada. Calcula-se que cerca de 9% da produção esperada no próximo verão tinha sido vendidos até agora, contra 39% na mesma época do ano passado.
As vendas antecipadas não deslancham porque o produtor evita vender a safra nova neste período de preços mais baixos e alta volatilidade no mercado de futuros da Bolsa de Chicago, antes da definição da safra norte-americana. Alguns poucos negócios foram vistos isoladamente, mas de modo geral o volume já comprometido para o ano que vem foi negociado com preços a fixar.
qui 30 set 2004
A decisão da Rússia de embargar a compra de carne bovina brasileira pode gerar perdas de US$ 1 milhão por dia para o País. O cálculo leva em consideração o total de exportações do setor realizadas em agosto, que somaram US$ 243 milhões; sendo que o mercado russo foi o principal comprador, com US$ 33 milhões. “Esperamos que o impasse seja resolvido o mais rapidamente possível, pois do ponto de vista sanitário não há justificativa para a adoção da medida”, diz o presidente do Fórum Nacional Permanente da Pecuária de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antenor Nogueira.
Em agosto, a Rússia foi o principal destino das exportações de carne bovina, superando Chile e Países Baixos, que antes ocupavam as primeiras posições no ranking dos maiores importadores nesse segmento. O representante da CNA ressalta que o foco de febre aftosa registrado no Estado do Amazonas, que é o motivo alegado pela Rússia para suspender importações de carne bovina de todo o Brasil, fica em região isolada, sem representar risco de contágio para o rebanho localizado em regiões livres da doença e que fornece carne para as exportações. Em agosto de 2003, as exportações de carne bovina somaram 93 mil toneladas, com faturamento de US$ 109 milhões.
Apesar dos problemas gerados pelo embargo russo à carne bovina brasileira, Nogueira estima que as exportações totais do setor em 2004 deverão ultrapassar a marca de 1,6 milhão de toneladas (no conceito “equivalente-carcaça”), com faturamento de US$ 2 bilhões. No ano passado, as exportações de carne bovina somaram 1,3 milhão de toneladas e faturamento de US$ 1,5 bilhão.
Entre janeiro e agosto deste ano, o faturamento das exportações do setor já ultrapassou o total obtido em todo o ano passado, com resultado de US$ 1,556 bilhão, 78% a mais que os US$ 875 milhões registrados em igual período de 2003. Em volume, as exportações de carne bovina somaram 1,147 milhões de toneladas entre janeiro e agosto deste ano, frente 819 mil toneladas, nos oito primeiros meses do ano passado.
“Já ultrapassamos o total de faturamento do ano passado, embora sem ainda atingir o volume remetido em 2003. Isso ocorre porque os preços médios estão um pouco melhores do que em 2004”, explica Antenor Nogueira.
Em agosto deste ano, por exemplo, o preço médio pago pela carne bovina brasileira in natura foi de US$ 2.081 por tonelada, cerca de 9% a mais que o preço médio de US$ 1.891 por tonelada, em agosto do ano passado. O Brasil está exportando maiores volumes de cortes nobres, mais valorizados, o que gera maiores receitas.
Na avaliação de Nogueira, a restrição da Rússia não deverá provocar queda nos preços da arroba do boi gordo no mercado interno, tendo em vista que o governo russo autorizou o embarque das compras efetuadas antes do embargo. Isso dará um fôlego aos exportadores. Mas é necessário que haja uma solução o mais rapidamente possível, para evitar o acúmulo de estoques de carne bovina nos portos.
Pesquisa da CNA e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP) mostra que entre janeiro e agosto os Custos Operacionais Totais (COT) da pecuária de corte subiram 7,37%, enquanto que o preço pago pela arroba do boi aumentou apenas 0,36%.
Somente o sal mineral, insumo que representa 15% dos custos de produção, subiu 10% de janeiro a agosto. O setor também começa a ser atingido pelo aumento geral dos preços de rações e suplementos minerais, insumos que não foram beneficiados com isenção de PIS e Cofins quando da edição da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004. Na pecuária de corte, a taxação em 9,25% de PIS e Cofins no sal mineral eleva em 1,3% os custos de produção do setor, o que representa um aumento de despesas para os produtores na ordem de R$ 350 milhões por ano.
qui 30 set 2004
Este ano será atingido, pela primeira vez, superávit na balança comercial do setor.
O presidente da Comissão de Pecuária de Leite da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Rodrigo Alvim, explica que o incremento das exportações brasileiras de lácteos tem sustentado os preços no mercado interno. “Este ano, faltando uma semana para o início da safra, os preços estão mais firmes”, diz ele.
Outra conquista dos produtores brasileiros, de acordo com Alvim, é que a maior parte dos produtos vendidos é de alto valor agregado, como o leite em pó fracionado, embarcado em embalagens menores e chegando direto ao consumidor final. Além deste, o leite condensado e o leite evaporado (leite condensado sem açúcar, que habitualmente é misturado ao café em alguns países).
Segundo estimativas da Confederação Brasileira de Cooperativas de Leite (CBCL), as vendas externas de leite do Brasil deverão atingir US$ 70 milhões este ano, sendo que as cooperativas agrícolas serão responsáveis pela metade desse valor. Com este resultado, o Brasil poderá conseguir pela primeira vez na história um superávit na balança comercial do produto. “Há dez anos seria inacreditável prever que o País conseguiria esta performance”, diz o diretor da Confederação, Vicente Nogueira.
Rodrigo Alvim acredita que entre os fatores que mais impulsionaram as entidades em direção ao mercado externo foram a crise que o setor atravessou em 2001, quando os preços caíram terrivelmente. Neste ano, o volume exportado atingiu US$ 8,1 milhões, sendo ampliado para R$ 48,5 milhões no ano passado. “Estamos conseguindo ampliar as vendas externas sem, no entanto, afetar o abastecimento interno.”
Próxima Página »