agosto 2004


É no interior de Goiás, mais precisamente no município de Itumbiara, a 130 quilômetros de Uberlândia (MG), que a partir de outubro serão produzidos os revestimentos de couro dos bancos da picape Ford Explorer, montada nos Estados Unidos.

Inicialmente serão cortados e costurados 20 mil couros por mês, conta o diretor da unidade do Grupo Braspelco, em Itumbiara, Walter Luís Lene. O grupo é o quinto maior curtume do mundo e o maior exportador do setor no País.

Com faturamento de R$ 750 milhões previstos para este ano, sua capacidade de produção é de 4,8 milhões de peles por ano em dez unidades próprias e outras terceirizadas.

Animada com o desafio, a companhia investiu US$ 12 milhões nos dois últimos anos em máquinas de corte e equipamentos de testes na unidade de Itumbiara para atender às exigências da indústria automobilística e de móveis e estofados. “Estamos também em negociações com a montadora coreana Hyundai”, diz Lene.

Atualmente, a empresa fabrica o revestimento dos bancos de couro das unidades brasileiras da Fiat e da General Motors. No último caso, para os modelos Blazer, S10, Vectra e Astra. Atende também aos maiores fabricantes de móveis da Europa e dos Estados Unidos. Mas o diretor-superintendente, Arnaldo Frizzo Filho, mantém em sigilo os nomes desses clientes.

Inaugurada oficialmente em outubro do ano passado, a unidade de Itumbiara foi planejada para produzir couros semi-acabados, acabados, cortados e costurados para as indústrias automobilística e moveleira.

Consumiu investimentos de US$ 70 milhões e a sua localização foi escolhida a dedo, próxima do pólo de matéria-prima, que são os frigoríficos do Centro-Sul do País, do principal mercado consumidor e com fácil acesso aos principais portos de exportação.

Quem percorre a unidade de Goiás logo nota um desequilíbrio entre as várias etapas do processamento do couro. Enquanto o ritmo de produção das peles semi-acabadas e acabadas é frenético, com funcionários trabalhando 24 horas por dia os sete dias da semana, há ociosidade nas etapas de corte e costura.

“Esse espaço está vazio porque os chineses e italianos levaram a nossa matéria-prima”, ironiza Lene. Com as vantagens competitivas dadas à matéria-prima brasileira exportada, que não paga ICMS, PIS/Cofins e ainda teve a alíquota do imposto de exportação reduzida, a unidade trabalha com ociosidade. Hoje produz mil couros cortados e costurados por dia, mas tem capacidade para fabricar o dobro.

Mesmo assim, Frizzo não se arrepende dos investimentos porque acredita na competitividade do setor. “O que é verdade um dia explode”. Ele calcula que, com a mudança das regras, em cinco anos o País poderá exportar US$ 10 bilhões, ante os US$ 3,3 bilhões atuais.

O governo vai liberar R$ 4 milhões para controle, prevenção e erradicação da sigatoka negra, praga causada pelo fungo Mycosphaerella fijiensis, que ataca bananeiras, principalmente das variedades prata, nanica e maçã. Segundo o Ministério da Agricultura, os recursos serão destinados nos próximos dias aos principais Estados produtores da fruta.

Do total, cerca de R$ 2 milhões serão destinados a material de treinamento e serviços terceirizados. O restante vai para programas de investimento, como aquisição de veículos, computadores e GPS, entre outros, segundo informações da Assessoria de Imprensa do Ministério.

A sigatoka negra já dizimou bananais nativos na Região Norte e Centro Oeste. Mais recentemente, atingiu plantações do Vale do Ribeira, em São Paulo, onde se concentra 20% da produção nacional de bananas.

Resistência – A Embrapa Amazônia Ocidental, de Manaus, lançará hoje duas cultivares de bananeiras resistentes à sigatoka negra: Prata Caprichosa e Prata Garantida, resistentes também à sigatoka amarela e ao mal-do-Panamá, informa a Assessoria de Imprensa da entidade.

Os técnicos também recomendam o cultivo de Pelipita, resistente a sikatoga negra. A Prata Caprichosa rende de três a cinco vezes mais e tem sabor idêntico e maior resistência ao despencamento do que Prata Comum.

A Prata Garantida tem número e tamanho de frutos e produtividade superiores às Prata São Tomé e Prata Comum. Os frutos são mais doces do que os da Prata São Tomé e têm resistência ao despencamento do que a Prata Comum.

A Pelipita é recomendada pela Embrapa como substituta das bananas D’angola ou Pacovan e Terra ou Pacovi, que têm sofrido ataque severo da sigatoka negra. Os frutos da Pelipita têm 650% mais fibra e 625% menos gordura na polpa. São, portanto, melhores para a fabricação de farinha e banana ‘chips’.

A Embrapa pesquisa alternativas de combate à sigatoka negra desde a entrada da doença no Brasil, em 1998.

Agrotóxicos – Técnicos do Ministério da Agricultura participam amanhã do 3.º Encontro Nacional sobre Agrotóxicos, que será realizado em Salvador, para debater os efeitos dos agrotóxicos ao meio ambiente, à saúde do trabalhador e aos consumidores. Além disso, alertará aos produtores rurais sobre a necessidade de um efetivo controle e a correta utilização desses produtos.

O evento, segundo o coordenador de Fiscalização de Agrotóxicos da Secretaria de Defesa Agropecuária, Júlio de Britto, também pretende difundir o programa de recolhimento de embalagens vazias de agrotóxicos e divulgar o trabalho de padronização das legislações sobre o assunto e o andamento do sistema de agrotóxicos no Brasil. A Parcerias Público-Privada (PPP) também está na pauta do encontro.

A partir de hoje será executado o plano de ação contra a sigatoka negra, que teve o primeiro foco registrado em Mato Grosso do Sul no último dia 23. Hoje e amanhã estarão sendo realizados treinamentos do pessoal técnico na propriedade onde ocorreu a contaminação, no município de Pedro Gomes, na região norte do Estado.

Entre outras definições para evitar a disseminação do fungo que destrói os bananais, estão a suspensão da emissão da PTV (Permissão de Trânsito de Vegetais) para Banana e monitoramento das propriedades rurais do município contaminado.

O doença causada por um fungo ataca principalmente as folhas e os produtores rurais devem adotar práticas como a desfolha para reduzir a incidência do microorganismo e permitir a convivência com a doença na bananicultura. A sigatoka negra não faz mal para a saúde, mas deixa a banana imprópria para a venda, já que o fruto não cresce.

O delegado federal de Agricultura em Mato Grosso do Sul, José Antônio Roldão, acredita que os produtores vão ter que aprender a conviver com a doença vegetal. “Não tem como erradicar”, afirmou apontando como conseqüência dessa situação o aumento do custo de produção. Será necessário investir muito mais em fungicidas e o custo disso será repassado para o consumidor final.

A doença propagou-se no Brasil pela região Norte e hoje já há focos identificados também em Mato Grosso e São Paulo. A sigatoka negra é disseminada pelo vento, roupas e rodas dos caminhões O Brasil é o segundo maior produtor mundial de banana, atrás apenas da Índia, com produção de 6,5 milhões de toneladas em 2003. Minas Gerais está em quinto lugar no ranking nacional, tendo produzido 544 mil toneladas no ano passado.

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